segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Rio reinicia operações no Plano Inclinado do Pavão-Pavãozinho após reformas

09/12/2011 - Agência Rio

Da Redação

A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos, com a Rioluz, entrega nesta sexta-feira (9) a reforma e modernização do plano inclinado da comunidade do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, na Zona Sul da cidade.

O trabalho durou seis meses e o investimento nas obras foi de R$ 692.400,00. O plano inclinado do Pavão-Pavãozinho foi interditado no dia 17 de março, após vistoria da Gerência de Engenharia Mecânica da Rioluz que constatou danos provocados por ações de vandalismo no equipamento e risco de acidentes para os usuários. A reforma incluiu a recuperação do sistema de transporte e cabines, além das cinco estações.

Entre os serviços realizados está a troca da cabine antiga, deteriorada pelo uso, por uma nova semipanorâmica, dotada de sistema anticapotagem e dois compartimentos, um para passageiros, com capacidade para 18 pessoas, e outro para carga, com capacidade para 400 quilos, cada qual com seu conjunto de portas completo. A capacidade total da nova cabine é 1.750 quilos.

As cinco estações do percurso do plano inclinado ganharam abrigos com cobertura em policarbonato, grade de proteção, novas botoeiras e portas com fechos eletromecânicos. Todos os componentes do sistema de tração, elétrico e de segurança (freio) foram reformados ou trocados, inclusive com a revisão dos trilhos.

Também foi recuperado o sistema de controle com a instalação de novo quadro de comando, com microprocessadores automáticos, que permite a aceleração ou retardamento da velocidade na descida da cabine, com qualquer carga. Este comando oferece a proteção no caso de sobrecarga no motor de tração, curto-circuitos acidentais ou por eventual defeito no sistema de freios.

A instalação deste equipamento vai gerar economia no consumo de energia elétrica, no desgaste do freio e no redutor da máquina de tração. E ainda proporcionará o nivelamento e a ação suave durante a movimentação da cabine.

Com a recuperação do Plano Inclinado, o trabalho de limpeza e coleta de lixo será otimizado, principalmente nos pontos mais altos das comunidades. A Comlurb irá instalar seis contêineres em cada uma das três estações. O lixo descartado nos contêineres será levado pelos garis diariamente no compartimento exclusivo para carga do plano inclinado até a caixa compactadora, que fica na parte baixa. Antes os garis tinham que descer e subir 400 degraus com o lixo. A Comlurb também já está instalando as bases para os novos pontos de coleta na comunidade.

MS

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Rio: Secretaria planeja construir teleférico e mais dois planos inclinados na Rocinha

24/11/2011 - O Dia Online

De acordo com a Secretaria, o teleférico vai interligar o metrô à Rocinha ao Vidigal

Em mais uma etapa para a construção de uma nova Rocinha, a Secretaria de Obras anunciou nesta quarta-feira que mais dois planos inclinados - a intenção de realizar um já havia sido divulgada - e um teleférico devem ser construidos na comunidade de São Conrado, na Zona Sul da cidade.  
 
Investimentos
 
O pacote de investimentos em serviços públicos na Rocinha incluirá reforma gratuita de moradias das famílias mais pobres. Cinco mil casas serão selecionadas para receber melhorias, como consertos de infiltrações, telhados e rachaduras, além de rede de esgoto. Cada imóvel passará por obras de R$ 9 mil a R$ 22 mil. Desde esta segunda-feira, empresas públicas e privadas estão na favela para garantir serviços como coleta de lixo e até TV a cabo a preço popular.
 
“Vamos selecionar as famílias e fazer as obras nos imóveis a custo zero para elas. A prioridade é quem vive em condições insalubres”, anunciou o presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop), Ícaro Moreno. Os moradores vão se cadastrar em local a ser instalado na comunidade. Os recursos das obras serão do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC 2.
 
Outros benefícios serão sentidos por toda favela: a Secretaria Municipal de Conservação instalará placas com nomes de ruas, vielas e becos, antes sem identificação. “Pago R$ 5 por mês e recebo carta no posto dos Correios, na Rua 1. Não vejo a hora de receber minhas correspondências em casa”, diz a doméstica Fernanda Souza, 52 anos, que há 35 mora em uma via sem nome.
 
Estrada da Gávea e vielas alargadas
 
Na Rocinha e no seu entorno, diversas vias terão seus cursos estrategicamente alterados. Becos e vielas serão alargados para melhorar o acesso à comunidade. E a Estrada da Gávea, que corta a favela, deverá ter suas curvas modificadas e alguns trechos ampliados para tentar reduzir os constantes engarrafamentos na via.
 
A CET-Rio informou que a estrada receberá sinalização — de carga e descarga e pontos de ônibus, por exemplo — e que a fiscalização por agentes de trânsito será constante.

Na comunidade, pelo menos quatro ruas devem passar dos atuais 60 centímetros para três metros de largura. Todos esses investimentos vão sair do PAC 2.
 
A Rocinha também vai ganhar um parque ecológico de 14 mil metros quadrados, que será construído na área conhecida como Portão Vermelho, no alto da comunidade. Haverá trilhas, vegetação de Mata Atlântica e um Centro de Referência em Educação Ambiental. No local, moravam 250 famílias — mais da metade já foi desapropriada e encaminhada para unidades habitacionais.
 
Segundo o secretário estadual de Assistência Social, Rodrigo Neves, a localidade do Largo do Boiadeiro será urbanizada e receberá obras de prevenção contra enchentes.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Na Rocinha, construção de planos inclinados, creches e mercado está parada

19/07/2011 - O Globo, Rogério Daflon (daflon@oglobo.com.br) e Ruben Berta (rberta@oglobo.com.br)

RIO - Do asfalto, a passarela com as curvas de Oscar Niemeyer e o Centro Esportivo, na Autoestrada Lagoa-Barra, podem dar a impressão de que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Rocinha já é um projeto consolidado. Mais de três anos depois do início dos trabalhos, porém, as obras pararam. A construção de dois planos inclinados e de um mercado popular, a finalização de uma creche e a reurbanização do Largo dos Boiadeiros ficaram pelo meio do caminho. A Secretaria estadual de Obras informou que aguarda uma verba de R$ 51 milhões do governo federal para a conclusão. Fora do PAC, outro projeto importante para a comunidade também está emperrado: o Parque Ecológico, que inclui a instalação de ecolimites para coibir o crescimento irregular.




Até agora, verbas de R$ 219,3 milhões
De acordo com a Secretaria estadual de Obras, dificuldades encontradas na abertura da Rua 4 - viela de 60cm de largura transformada num novo caminho, de até 12 metros de largura - foram o imprevisto que causou o pedido de mais verbas. Ali, segundo o órgão, ficou constatado que eram necessárias obras adicionais, principalmente de contenção, para evitar que as casas remanescentes pudessem levar risco aos moradores da parte baixa, em caso de chuvas fortes. Até agora, já foram gastos no PAC da Rocinha R$ 219,3 milhões, sendo R$ 120,3 milhões da União e o restante dos cofres do estado.
Os planos inclinados, projetos semelhantes ao implantado no Morro Dona Marta, são uma das grandes decepções para os moradores da Rocinha. Um ligaria o acesso principal à Rua 1. O outro, a Rua 2 à Rua do Valão. Do primeiro, até agora há apenas o esqueleto. O segundo projeto foi abortado: a Secretaria de Obras informou que está desenvolvendo a construção de um teleférico.
- O clima aqui é de decepção. E, no caso das famílias que estão na área do plano inclinado que ligaria a Rua do Valão à Rua 2, o sentimento é de apreensão. Mais de 200 moradores foram notificados porque teriam de sair dali. Eles estão preocupados diante da incerteza - reclamou José Martins de Oliveira, morador da comunidade.
No mês passado, o estado publicou, em Diário Oficial, a suspensão temporária da contagem do tempo de contrato com a empresa Midas Engenharia para a execução do Parque Ecológico, por indisponibilidade de verbas. Ainda faltam cerca de 30% de obras a serem feitas. O plano inclinado da Rua 2, que foi abortado, incluía o parque em seu roteiro.
Outra questão que preocupa na Rocinha e ainda parece longe de solução é o saneamento, que limitou-se à Rua 4 nas intervenções do PAC. Arquiteto que projetou o Centro Esportivo, Luiz Carlos Toledo ressalta que a comunidade ainda está carente de obras:
- Se eu pudesse escolher uma obra na Rocinha, ficaria com o saneamento básico. Falta completar a rede de esgoto e água na comunidade. O mau cheiro proporcionado pelo esgoto, é forte, por exemplo, no Centro Esportivo. As águas pluviais também precisam ser equacionadas. Há talvegues (cursos d'água) na Rocinha que precisam de canaletas, para dar segurança às casas próximas quando chove forte. A questão do lixo também precisa ser equacionada.
Além do Centro Esportivo e da passarela, já ficaram prontos uma UPA; a reurbanização da Rua 4 e da área conhecida como Valão; 144 unidades habitacionais; e um Centro de Convivência - que ainda espera por equipamentos para ser inaugurado.
De acordo com o IBGE, a Região Administrativa da Rocinha foi a segunda em aumento percentual de população no Rio entre os Censos de 2000 e 2010 (23,11%). Os números oficiais informam que a favela passou de 56.338 para 69.356 habitantes.