sexta-feira, 15 de julho de 2016

Planos inclinados de Salvador sofrem com problemas; somente um deles ainda funciona

O prefeito ACM Neto assinou ordem de serviço para reformar o Plano Inclinado Gonçalves

27/04/2013 - Correio 24 Horas

Clarissa Pacheco
clarissa.pacheco@redebahia.com.br

Dos equipamentos mais antigos usados para ligar a Cidade Baixa à Cidade Alta de Salvador, os três planos inclinados da capital baiana – Gonçalves, Pilar e Liberdade-Calçada – são mais do que pontos turísticos para quem chega à cidade. Eles são, assim como o Elevador Lacerda, meios de transporte que ajudam os próprios soteropolitanos a encurtar a distância entre a parte alta e baixa da capital baiana, evitando as tão famosas ladeiras do Centro Histórico.

Mas faz tempo que os moradores de Salvador não contam com os três ascensores em regime integral. O Plano Inclinado Gonçalves, o mais antigo da cidade e que operava em sistema elétrico desde 1910, está fechado há dois anos e dois meses. Já o plano que liga a Liberdade à Calçada não opera desde setembro do ano passado - sete meses parado.

Na manhã de ontem, o prefeito ACM Neto assinou a ordem de serviço para a reforma e modernização do Plano Inclinado Gonçalves, que liga o Pelourinho ao Comércio. A obra, que custará R$ 2,5 milhões, será paga com recursos próprios e deve durar oito meses, no máximo, embora a expectativa seja entregar o equipamento pronto no Natal. De acordo com a prefeitura, além de uma obra de contenção da encosta, o equipamento será modernizado e algumas peças trocadas, caso haja necessidade. Outras, que estejam em bom estado de conservação, passarão por reparos.

Com apenas um dos três ascensores da capital baiana funcionando - o do Pilar, que liga o Santo Antônio Além do Carmo ao bairro do Comércio -  a reportagem do CORREIO foi conferir a situação e encontrou problemas não só nos equipamentos, mas também no entorno.

Parado há dois meses, o plano Gonçalves vai ser reformado e volta em dezembro

* PLANO GONÇALVES
Modernização 
Inaugurado em 1874, ainda com vagões movidos a vapor, o hoje Plano Inclinado Gonçalves deveria ligar o Pelourinho ao Comércio em uma viagem de 3 minutos. Mas está parado há 2 anos e 2 meses, o que obriga moradores e trabalhadores  a fazerem o trajeto, muitas vezes, a pé.

É o caso da vendedora Ana Paula Ramos, 24 anos, que trabalha em uma loja de artesanato na Praça da Sé. A alternativa é usar o Elevador Lacerda ou subir pela Ladeira do Taboão, correndo o risco de assaltos, o que já aconteceu.
Segundo Ana Paula, o Elevador Lacerda é a melhor opção, mas nem sempre funciona e muitas vezes há longas filas. “Quando tem navio no Porto, chego a ficar 40 minutos na fila. Para não me atrasar, subo a Ladeira do Taboão”, diz.

Espera-se que a situação se resolva com a prometida modernização. Titular da Secretaria de Infraestrutura e Defesa Civil (Sindec), Paulo Fontana disse que o objetivo é entregar o equipamento no Natal. A obra é de responsabilidade da Superintendência de Conservação e Obras Públicas (Sucop) e será executada pela empresa TOCC.

Por enquanto, a marquise do Gonçalves serve de abrigo para moradores de rua e sequer há segurança no local. “Quem usa mais somos nós, que trabalhamos aqui (no Pelourinho). Se voltar a funcionar, desafoga o Elevador Lacerda e eu não chego mais atrasada”, disse Ana Paula.

A comerciante Leila Cabral, dona de uma loja no Pelourinho, também destacou a importância de o plano voltar a funcionar. Apesar de não depender diretamente do equipamento, ela diz que a procura dos turistas ainda é grande. “A maioria sente falta, o turista quando vem logo pergunta se ainda existe. E a gente tem que dizer que não”. O prefeito ACM Neto disse que a recuperação do Plano Gonçalves também terá importância política, econômica e social, já que fará integração entre o Comércio e o Centro Histórico.

Informações
Localização Liga o Pelourinho ao Comércio, a partir da Praça Ramos de Queiroz. Construído pelos jesuítas, era conhecido como Guindaste dos Padres
Parado há 2 anos e 2 meses, segundo a Transalvador
Duração da viagem é, normalmente, de 3 minutos
Capacidade de 35 pessoas em cada uma das cabines. Transportava uma média de 9 mil passageiros por dia, quando funcionava

* LIBERDADE-CALÇADA
Abandono
O  Plano Inclinado Liberdade-Calçada  foi inaugurado em  1981, mas parou de funcionar há sete meses. Está completamente abandonado.

Quem antes usava o equipamento diariamente, 9 mil pessoas segundo a Transalvador, agora precisa se arriscar nas escadas por dentro do próprio equipamento ou de ônibus, o que torna a viagem longa.

Morador do bairro do Pero Vaz, o comerciante Cosme Araújo, 60, agora leva mais de uma hora nos ônibus amarelinhos: “Hoje, levei quase 2 horas para chegar”, contou.

Já o consultor Gilberto Nascimento, 47, que mora na Liberdade, anda até o Plano do Pilar pelo menos três vezes na semana para ir ao Comércio – cerca de 3 km. “O melhor acesso para a Calçada é por lá (Liberdade). Andar ou pegar ônibus demora muito mais”.

Além disso, o fechamento do plano também leva risco aos passantes. O lugar virou abrigo para usuários de drogas, que ocuparam as cabines e, segundo moradores, também praticam assaltos. De acordo com o Comando de Operações da 16ª CIPM (Comércio), são feitas rondas diariamente e dois policiais ficam de plantão. A polícia disse que faz abordagens constantemente e já prendeu alguns assaltantes, mas não tem competência para retirá-los de lá.

Uma das cabines do Liberdade/Calçada sofreu três incêndios no último dia 19. A suspeita é de que o fogo tenha sido ateado após uma briga entre usuários de droga. O incêndio foi controlado pelos bombeiros e ninguém ficou ferido. A cabine atingida ficou parcialmente destruída e parte dos equipamentos foi afetada. 

O prefeito ACM Neto disse que, ainda este ano, deve ser liberada a verba para a recuperação do Plano Liberdade-Calçada, que também custará R$ 2,5 milhões.

Informações
Liga o bairro da Liberdade, na Praça Nelson Mandela, à Calçada
Parado há sete meses, segundo informações da Transalvador. O lugar virou abrigo para moradores de rua e usuários de droga
Duração da viagem é, normalmente, de 2 minutos e 30 segundos. Quem vai de ônibus hoje pode levar até duas horas
Capacidade de 35 pessoas em cada uma das cabines. Transportava uma média de 9 mil passageiros por dia quando funcionava

O plano do Pilar é o único em funcionamento, mas sofre com a insegurança

* PLANO DO PILAR
Movimento fraco
Dos três planos inclinados de Salvador, o do Pilar é o único em funcionamento. Ele terminou de ser construído em 1897 e foi restaurado em 29 de março de 2006.

De lá para cá, deixou de funcionar algumas vezes por problemas técnico. Hoje, opera de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e aos sábados, das 7h às 13h. No entanto, segundo comerciantes e um funcionário que não quis se identificar, o movimento é baixo, apesar da tarifa de apenas R$ 0,15

O maior problema seria a falta de segurança na rua do Pilar. “Eu acho que as pessoas nem sabem que funciona. Tem que ter mais divulgação e segurança. Depois das 18h, não é mais seguro”, disse o comerciante Celso Silva, 59, dono de um depósito na rua ao lado.

O funcionário diz que não há policiamento na via, que fica atrás do prédio da Receita Federal, no Comércio. A Transalvador confirma que não há guardas municipais no local. A 16ª CIPM (Comércio) diz que mantém dois policiais de plantão e uma viatura próximos ao Plano Inclinado do Pilar diariamente entre as 17h e as 23h.

Informações
Liga o Santo Antônio Além do Carmo ao Comércio
Funcionando desde 29 de março de 2006, quando foi reformado no governo do ex-prefeito João Henrique Carneiro (PP)
Duração da viagem é, normalmente, de 1 minuto e 30 segundos
Capacidade de 25 pessoas por cabine, com média de 550 passageiros por dia. Hoje, o Plano Inclinado do Pilar arrecada cerca de R$ 1.800 por mês

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Plano inclinado em igreja de Jacarepaguá é inaugurado

Santuário de Nossa Senhora da Penna é o segundo mais antigo do bairro

POR NATÁLIA CASTRO

24/08/2014 - O Globo


O plano inclinado Monsenhor José Carlos Moreira facilitará o acesso à Igreja Nossa Senhora da Pena, em Jacarepaguá
Foto: Adriana Lorete / Agência O Globo
O plano inclinado Monsenhor José Carlos Moreira facilitará o acesso à Igreja Nossa Senhora da Pena, em Jacarepaguá
Foto: Adriana Lorete / Agência O Globo


RIO — Em cerimônia com presença do cardeal-arcebispo Orani Tempesta, o prefeito Eduardo Paes inaugurou, na manhã deste domingo, o plano inclinado Monsenhor José Carlos Moreira, de acesso à Igreja Nossa Senhora da Penna, na Freguesia. Construído entre 1633 e 1642, o santuário é o segundo mais antigo de Jacarepaguá — atrás, apenas, da Igreja de São Gonçalo do Amarante, no Engenho do Camarim, com data de 1625 — e localizado no topo da Pedra do Galo, a 160 metros de altura. A obra conta com duas estações: a estação José Roiz de Aragão, na rua Nossa Senhora da Penna, e a estação Provedora Lygia Moreira Alves de Brito, no alto do rochedo. O investimento foi de R$ 6,7 milhões, e está voltado, também, para as comemorações dos 450 anos da cidade, em 20 de janeiro do ano que vem.

— É importante que possamos chamar a atenção para esses pontos turísticos da cidade. O trabalho nessa região não está apenas na solução dos problemas do dia a dia, mas na qualificação do espaço e da sua importância cultural — disse Eduardo Paes, reconhecendo que o acesso à igreja é difícil. — Muitos cariocas não conhecem essa igreja, que tem uma das vistas mais privilegiadas da cidade. Esse plano permite o acesso não somente aos católicos, mas a todos os turistas que querem conhecer esse lugar.

Em seu discurso, Dom Orani reiterou que as possibilidades criativas são imprescindíveis para que as pessoas tenham oportunidade de conhecer mais o que o Rio de Janeiro tem a oferecer.

—São providências para o bem da sociedade. Para que todos possamos acessar os pontos turísticos e desfrutar deles.

O trajeto de 110 metros de uma estação a outra dura cerca de quatro minutos, e o elevador diagonal acomoda 18 pessoas de cada vez. Há ainda um elevador para oito pessoas, que liga a estação superior ao pátio da capela. A administração é feita pela RioLuz. com uma equipe de dez pessoas. O horário previsto para o funcionamento do plano inclinado é de 8h às 17h, diariamente. Um alento para os frequentadores da igreja.

— Sou nascida e criada aqui, e esse plano inclinado é um pedido antigo nosso, já que a subida até o topo dura cerca de meia hora. Até um padre já infartou uma vez subindo. Estamos muito empolgados e satisfeitos — diz a gerente de vendas Nelma Lúcia Barbosa, de 54 anos.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/plano-inclinado-em-igreja-de-jacarepagua-inaugurado-13715304#ixzz3l6EOPNiZ 
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sábado, 29 de agosto de 2015

Plano inclinado do Dona Marta volta a operar nas cinco estações neste sábado

Rioluz assumiu serviço de transporte na comunidade, que era realizado por empresa particular paga pelo estado

POR MARTA PAES

29/08/2015 - O Globo

Bondinhos do Morro Dona Marta voltam a operar nas cinco estações - Custódio Coimbra / Custódio Coimbra

RIO - Moradores do Dona Marta voltaram a ter, neste sábado, o serviço do plano inclinado em todas as cinco estações. Uma equipe técnica da Rioluz, que assumiu a operação do bondinho, esteve de manhã no local, acompanhando o trabalho. A partir deste sábado, o horário do bondinho passa a ser das 8h às 23h. Há cerca de um mês, como O GLOBO mostrou neste sábado, o transporte estava funcionando das 8h às 18h, e, na última semana, somente até a terceira estação, deixando muitos moradores a pé.

Além de vários transtornos, a situação causava indignação. Para a dona de casa Viviane Pereira da Silva, o horário restrito só servia aos turistas.

- Minha filha tem 4 anos e faz tratamento para as pernas, e eu tenho problema na coluna. Como moro na quarta estação, tinha que descer e subir com ela todos os dias. Além disso, ela sai para a escola às 7h, e não tem bonde. Das 8h às 18h, só serve para gringo - reclama.

O horário original de funcionamento era das 6h30m ate meia-noite. Neste primeiro momento, no entanto, a Rioluz vai operar das 8h às 23h. Mas Heronildes Veríssimo, o seu Dida, de 78 anos, já vê motivo para comemorar. Até esta sexta-feira, ele precisava encarar a escadaria e as ruelas de bengala, e lamentava a falta do bondinho nas duas últimas estações.

- Agora está ótimo, mas é preciso que continue assim - afirma.

Não foi só o ir e vir de moradores que melhorou neste sábado. O plano inclinado também contribuiu para o trabalho do gari Paulo César Ferreira, que voltou a poder usar o serviço para subir e descer com as lixeiras da Comlurb.

- Quando o bondinho fica parado atrapalha muito o serviço, e a gente faz mutirão para não deixar o lixo acumular - explica.

Ex-moradora do Dona Marta, a doméstica Karine Ferreira de Oliveira aproveitou o retomada do serviço do bondinho para visitar amigos na comunidade.

- Estou a passeio, mas acho que não é um serviço que não pode parar. Há muitos idosos e pessoas com dificuldades de locomoção. Isso é um direito de todos - avalia.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/rio/plano-inclinado-do-dona-marta-volta-operar-nas-cinco-estacoes-neste-sabado-17347677#ixzz3kETcm1r2 
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sábado, 16 de junho de 2012

Plano inclinado da Igreja da Penha é inaugurado no domingo

08/06/2012 - Agência Rio
    
O Plano Inclinado Padre Laércio Dias de Moura, na área pacificada da Penha, zona norte do Rio, será inaugurado neste domingo (8), com participação do prefeito Eduardo Paes. O novo transporte com bondinhos tem capacidade para 25 passageiros, vista panorâmica e será integrado ao plano inclinado que funciona no local desde 2003.

Com o novo plano, fiéis e visitantes poderão fazer o percurso do Largo da Penha ao alto do morro em nove minutos. A prefeitura também fez a revitalização da Igreja da Penha e de seu entorno. A solenidade de inauguração está marcada para às 9h.

FA

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Rio reinicia operações no Plano Inclinado do Pavão-Pavãozinho após reformas

09/12/2011 - Agência Rio

Da Redação

A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos, com a Rioluz, entrega nesta sexta-feira (9) a reforma e modernização do plano inclinado da comunidade do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, na Zona Sul da cidade.

O trabalho durou seis meses e o investimento nas obras foi de R$ 692.400,00. O plano inclinado do Pavão-Pavãozinho foi interditado no dia 17 de março, após vistoria da Gerência de Engenharia Mecânica da Rioluz que constatou danos provocados por ações de vandalismo no equipamento e risco de acidentes para os usuários. A reforma incluiu a recuperação do sistema de transporte e cabines, além das cinco estações.

Entre os serviços realizados está a troca da cabine antiga, deteriorada pelo uso, por uma nova semipanorâmica, dotada de sistema anticapotagem e dois compartimentos, um para passageiros, com capacidade para 18 pessoas, e outro para carga, com capacidade para 400 quilos, cada qual com seu conjunto de portas completo. A capacidade total da nova cabine é 1.750 quilos.

As cinco estações do percurso do plano inclinado ganharam abrigos com cobertura em policarbonato, grade de proteção, novas botoeiras e portas com fechos eletromecânicos. Todos os componentes do sistema de tração, elétrico e de segurança (freio) foram reformados ou trocados, inclusive com a revisão dos trilhos.

Também foi recuperado o sistema de controle com a instalação de novo quadro de comando, com microprocessadores automáticos, que permite a aceleração ou retardamento da velocidade na descida da cabine, com qualquer carga. Este comando oferece a proteção no caso de sobrecarga no motor de tração, curto-circuitos acidentais ou por eventual defeito no sistema de freios.

A instalação deste equipamento vai gerar economia no consumo de energia elétrica, no desgaste do freio e no redutor da máquina de tração. E ainda proporcionará o nivelamento e a ação suave durante a movimentação da cabine.

Com a recuperação do Plano Inclinado, o trabalho de limpeza e coleta de lixo será otimizado, principalmente nos pontos mais altos das comunidades. A Comlurb irá instalar seis contêineres em cada uma das três estações. O lixo descartado nos contêineres será levado pelos garis diariamente no compartimento exclusivo para carga do plano inclinado até a caixa compactadora, que fica na parte baixa. Antes os garis tinham que descer e subir 400 degraus com o lixo. A Comlurb também já está instalando as bases para os novos pontos de coleta na comunidade.

MS

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Rio: Secretaria planeja construir teleférico e mais dois planos inclinados na Rocinha

24/11/2011 - O Dia Online

De acordo com a Secretaria, o teleférico vai interligar o metrô à Rocinha ao Vidigal

Em mais uma etapa para a construção de uma nova Rocinha, a Secretaria de Obras anunciou nesta quarta-feira que mais dois planos inclinados - a intenção de realizar um já havia sido divulgada - e um teleférico devem ser construidos na comunidade de São Conrado, na Zona Sul da cidade.  
 
Investimentos
 
O pacote de investimentos em serviços públicos na Rocinha incluirá reforma gratuita de moradias das famílias mais pobres. Cinco mil casas serão selecionadas para receber melhorias, como consertos de infiltrações, telhados e rachaduras, além de rede de esgoto. Cada imóvel passará por obras de R$ 9 mil a R$ 22 mil. Desde esta segunda-feira, empresas públicas e privadas estão na favela para garantir serviços como coleta de lixo e até TV a cabo a preço popular.
 
“Vamos selecionar as famílias e fazer as obras nos imóveis a custo zero para elas. A prioridade é quem vive em condições insalubres”, anunciou o presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop), Ícaro Moreno. Os moradores vão se cadastrar em local a ser instalado na comunidade. Os recursos das obras serão do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC 2.
 
Outros benefícios serão sentidos por toda favela: a Secretaria Municipal de Conservação instalará placas com nomes de ruas, vielas e becos, antes sem identificação. “Pago R$ 5 por mês e recebo carta no posto dos Correios, na Rua 1. Não vejo a hora de receber minhas correspondências em casa”, diz a doméstica Fernanda Souza, 52 anos, que há 35 mora em uma via sem nome.
 
Estrada da Gávea e vielas alargadas
 
Na Rocinha e no seu entorno, diversas vias terão seus cursos estrategicamente alterados. Becos e vielas serão alargados para melhorar o acesso à comunidade. E a Estrada da Gávea, que corta a favela, deverá ter suas curvas modificadas e alguns trechos ampliados para tentar reduzir os constantes engarrafamentos na via.
 
A CET-Rio informou que a estrada receberá sinalização — de carga e descarga e pontos de ônibus, por exemplo — e que a fiscalização por agentes de trânsito será constante.

Na comunidade, pelo menos quatro ruas devem passar dos atuais 60 centímetros para três metros de largura. Todos esses investimentos vão sair do PAC 2.
 
A Rocinha também vai ganhar um parque ecológico de 14 mil metros quadrados, que será construído na área conhecida como Portão Vermelho, no alto da comunidade. Haverá trilhas, vegetação de Mata Atlântica e um Centro de Referência em Educação Ambiental. No local, moravam 250 famílias — mais da metade já foi desapropriada e encaminhada para unidades habitacionais.
 
Segundo o secretário estadual de Assistência Social, Rodrigo Neves, a localidade do Largo do Boiadeiro será urbanizada e receberá obras de prevenção contra enchentes.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Na Rocinha, construção de planos inclinados, creches e mercado está parada

19/07/2011 - O Globo, Rogério Daflon (daflon@oglobo.com.br) e Ruben Berta (rberta@oglobo.com.br)

RIO - Do asfalto, a passarela com as curvas de Oscar Niemeyer e o Centro Esportivo, na Autoestrada Lagoa-Barra, podem dar a impressão de que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Rocinha já é um projeto consolidado. Mais de três anos depois do início dos trabalhos, porém, as obras pararam. A construção de dois planos inclinados e de um mercado popular, a finalização de uma creche e a reurbanização do Largo dos Boiadeiros ficaram pelo meio do caminho. A Secretaria estadual de Obras informou que aguarda uma verba de R$ 51 milhões do governo federal para a conclusão. Fora do PAC, outro projeto importante para a comunidade também está emperrado: o Parque Ecológico, que inclui a instalação de ecolimites para coibir o crescimento irregular.




Até agora, verbas de R$ 219,3 milhões
De acordo com a Secretaria estadual de Obras, dificuldades encontradas na abertura da Rua 4 - viela de 60cm de largura transformada num novo caminho, de até 12 metros de largura - foram o imprevisto que causou o pedido de mais verbas. Ali, segundo o órgão, ficou constatado que eram necessárias obras adicionais, principalmente de contenção, para evitar que as casas remanescentes pudessem levar risco aos moradores da parte baixa, em caso de chuvas fortes. Até agora, já foram gastos no PAC da Rocinha R$ 219,3 milhões, sendo R$ 120,3 milhões da União e o restante dos cofres do estado.
Os planos inclinados, projetos semelhantes ao implantado no Morro Dona Marta, são uma das grandes decepções para os moradores da Rocinha. Um ligaria o acesso principal à Rua 1. O outro, a Rua 2 à Rua do Valão. Do primeiro, até agora há apenas o esqueleto. O segundo projeto foi abortado: a Secretaria de Obras informou que está desenvolvendo a construção de um teleférico.
- O clima aqui é de decepção. E, no caso das famílias que estão na área do plano inclinado que ligaria a Rua do Valão à Rua 2, o sentimento é de apreensão. Mais de 200 moradores foram notificados porque teriam de sair dali. Eles estão preocupados diante da incerteza - reclamou José Martins de Oliveira, morador da comunidade.
No mês passado, o estado publicou, em Diário Oficial, a suspensão temporária da contagem do tempo de contrato com a empresa Midas Engenharia para a execução do Parque Ecológico, por indisponibilidade de verbas. Ainda faltam cerca de 30% de obras a serem feitas. O plano inclinado da Rua 2, que foi abortado, incluía o parque em seu roteiro.
Outra questão que preocupa na Rocinha e ainda parece longe de solução é o saneamento, que limitou-se à Rua 4 nas intervenções do PAC. Arquiteto que projetou o Centro Esportivo, Luiz Carlos Toledo ressalta que a comunidade ainda está carente de obras:
- Se eu pudesse escolher uma obra na Rocinha, ficaria com o saneamento básico. Falta completar a rede de esgoto e água na comunidade. O mau cheiro proporcionado pelo esgoto, é forte, por exemplo, no Centro Esportivo. As águas pluviais também precisam ser equacionadas. Há talvegues (cursos d'água) na Rocinha que precisam de canaletas, para dar segurança às casas próximas quando chove forte. A questão do lixo também precisa ser equacionada.
Além do Centro Esportivo e da passarela, já ficaram prontos uma UPA; a reurbanização da Rua 4 e da área conhecida como Valão; 144 unidades habitacionais; e um Centro de Convivência - que ainda espera por equipamentos para ser inaugurado.
De acordo com o IBGE, a Região Administrativa da Rocinha foi a segunda em aumento percentual de população no Rio entre os Censos de 2000 e 2010 (23,11%). Os números oficiais informam que a favela passou de 56.338 para 69.356 habitantes.